Vou tentar explicar neste artigo como se consegue, de uma forma barata, personalizar um modelo de slot.
Primeiro de tudo é necessário escolher um modelo. Eu escolhi um “velho” SCX, um Ford GT 40 que comprei em forma de fascículos à alguns anos atrás. Depois deste modelo ter surgido, a Scalextric / Hornby e a Fly lançaram modelos destes famosos carros com uma qualidade gráfica e mecânica muito superior, pelo que estes GT 40 da SCX ficam invariavelmente esquecidos dentro de uma caixa qualquer…
Após a escolha do modelo, comecei a pensar na decoração. E das primeiras ideias logo uma se destacou, a decoração do GT 40 nacional que pertenceu a Carlos Gaspar. Uma vez que as fábricas espanholas raramente replicam carros de pilotos portugueses, achei a ideia excelente e original.
O passo seguinte foi dado à volta dos meus arquivos; procurei imagens nos livros, nas dezenas de revistas, nas centenas de fotografias já gravadas em DVD, etc, etc. Depois de longas horas nesta pesquisa, consegui várias fotos que me vão ajudar a desenhar a decoração do modelo GT 40, chassi #1022, que correu em Vila Real em 1968 com o piloto portuense Carlos Gaspar.
Neste conjunto de fotos pode-se observar o mesmo GT 40 em várias alturas; em cima à esquerda numa prova em Jarama; em baixo à direita na grelha de partida da prova de Vila Real e em cima à direita vemos o mesmo GT 40 onde ele repousa actualmente, na California, USA.
Por este projecto ser bastante específico (os sponsors deste modelo são todos nacionais) não vou poder aproveitar muito material já feito e colocado na internet. De qualquer modo posso dizer que quando necessito de algum “autocolante”, costumo utilizar a página do Google Images e escrevo o nome do produto que procuro; por exemplo “Dunlop”.
Logo por aqui consigo seleccionar vários logos que me podem interessar. Outra opção que utilizo com frequência o site da Brands of the World, onde também escrevo o nome da empresa que procuro e consigo recolher vários logos em formato JPG (imagem) ou EPS (vector).
Por vezes ao navegar em sites de automóveis encontro páginas interessantes que guardo nos favoritos e utilizo quando tenho necessidade. É o caso de um site francês dedicado aos Ford Escort e que tem uma galeria enorme de autocolantes.
Mas neste caso tive mesmo que ser eu a desenhar os autocolantes necessários num programa de desenho e de seguida imprimir uma folha A4 de papel autocolante branco, numa impressora laser.
Este processo tem a vantagem de ser relativamente fácil preencher uma folha A4 com diversa publicidade para vários modelos e imprimir em casa ou num centro de cópias. A impressão laser tem a capacidade de aquecer bastante a folha e colar imediatamente o toner à nossa folha, o que não acontece com as impressoras de jacto de tinta. Nestas, as cores não aderem com tanta compressão e saiem com facilidade ao passar gordura sobre ela (óleos, água ou então os dedos).
A colocação destes autocolantes é bastante fácil e é feito a seco; com uma tesoura afiada ou com um x-acto recorta-se pelo limite do autocolante, retira-se a película traseira e cola-se no modelo. Se não ficar alinhado, retira-se com facilidade e cola-se novamente. Convém, no entanto, imprimir alguns autocolantes a mais, pois em competição estes podem-se rasgar ou sujar e assim sempre podemos substituí-los por outros novos. Ou então podemos alterar completamente a localização deles sem ter que mexer na pintura de base ou sequer abrir o modelo!
No final os modelos a esta escala (1:32) ficam bastante vistosos, quer nas pistas, quer na vitrine. Apenas uma única recomendação; não é possível envernizar o modelo com os autocolantes de papel, pois estes ficam inutilizados. A solução é envernizar o modelo após a pintura da carroçaria e só depois aplicar os autocolantes de papel.
Quanto ao meu GT 40, comecei por desmontar tudo, lavar o chassi e a carroçaria com água e sabão para retirar gorduras e depois apliquei duas camadas de tinta acrílica vermelha em spray (Tamiya Color TS-49 Bright Red). Quando secou pintei as três riscas frontais a branco com um pincel.
Uma das características dos carros usados pelo Carlos Gaspar era a utilização das cores nacionais do pré-guerra. Nestas primeiras competições, os carros franceses eram azuis, os italianos eram vermelhos, os ingleses eram verdes, etc. Por isso ainda hoje os Bugatti são quase todos azuis, os Ferrari, Alfa Romeo e Maserati são vermelhos e os Aston Martin, Jaguar ou Lotus utilizam o British Racing Green. Mas isto são histórias para outro artigo…
Portugal foi contemplado nessa altura com duas cores para os seus modelos de competição; chassi branco e carroçaria vermelha. Carlos Gaspar sempre utilizou essa combinação de cores nos seus carros; no Alfa Romeo GTV, no Ford GT 40, no Lola Team BIP.
Depois do modelo montado, foi apenas colar os autocolantes nos locais já identificados pelas fotos; Sacor, Firestone, Carpelio, Porfirios e Redon. Um último truque utilizado; o número 56 em branco é impossível de reproduzir na impressão (as impressoras não têm tinta branca). A solução foi criar uma pequena moldura vermelha e colocar o número no interior. Depois de recortado, o vermelho do papel funde-se com o vermelho da carroçaria e não se nota a diferença.
Boas personalizações, e até ao próximo artigo!
ruics.queiros@gmail.com













